Te vejo a noite...

Te vejo a noite...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O amor pode ou não superar as barreiras da morte? -"Kratos, mesmo que os gumes lhe perfurem e matem, sempre te amarei onde eu estiver - Galatéia".

Crônicas de Orion. Idade Primitiva.
Quando o amor se torna algo que morre e nasce a cada amanhecer...
Kratos e Galatéia.
Mia Hertz.



Ele se encontrava sentado no penhasco, olhando o horizonte e perdido em seus pensamentos. Estava tão imerso em si mesmo, que não se dava conta do espetáculo que a natureza proporcionava para os seres ao seu redor.
O poente matizava o céu de vermelho e laranja, Febo parecia que iria beijar ao oceano de tão próximo que se encontrava de suas águas.
O silêncio do entardecer só era quebrado pelas gaivotas que cortava os ares em busca de abrigo para passarem o anoitecer.
A brisa suave acariciava levemente o ser, refrescando e acariciando-o, como se estivesse enamorada por ele.
Sentindo a ligeira carícia, relaxa e volta a fitar a sua frente em sua eterna busca, evoca o ser querido que lhe fora arrancado por Plutão.
Ela se encontrava perdida para sempre, no Umbral, enquanto que ele estava fadado a ser eternamente amaldiçoado.
Encontrava-se cansado, faminto e solitário...
Vivia recordando a sua bela ninfa a bailar entre as rosas e arbustos, enquanto que suas irmãs ficavam a tagarelar e a entrelaçar os cabelos de Prosérpina. Todas tão infantis e ao mesmo tempo tão mulheres nesse momento.
Recordo-me de Pandora e de sua insensatez ao abrir a caixa e liberar a todas as desgraças e malefícios sob a terra, no entanto, esse fato nem me abalou, pois o meu coração já se encontrava em frangalhos, corroído pela dor, pelo ciúme e pelo despeito.
Para mim a esperança há muito se perderá entre o caos a qual me encontrava. Já implorara a todos os Deuses perdão pela minha arrogância e altivez, porém todos estavam surdos e mudos para minha dor e maldição.
Cego pela dor, vejo mais uma vez a lua subir pelo zênite, vejo que há minha hora está chegando e que já não posso me perder nas minhas caras e tão queridas  lembranças.
O tempo urge, o meu está pelo fio.
Levanto-me do solo, procuro refúgio na cálida água do oceano, que banha a terra tão amada.
Abro os braços e salto no vazio, entre os penhascos em rumo às profundezas que me chama, como a amante saudosa e luxuriante.
Nesse voo cego, sinto a vida passar pela minha retina e escapar do meu corpo, nos meros segundos que ainda resta da queda livre.
Vejo os penhascos que submergem do oceano tal quais adagas a minha espera, para varar e corromper ao meu corpo, mas já não tenho mais temor, há tantos séculos que morro desse modo, que as dores do óbito não são maiores do que a dor de se está vivo preso a terra olhando e buscando a ti eternamente.
Evoco pela última vez o sabor dos teus lábios e da tua pele macia. Os seus gemidos ainda ecoam em meus ouvidos, os teus sussurros estão gravados em meu coração.
E o teu corpo alvo que muitas vezes fiz o meu ser de adoração, se faz presente nos derradeiros momentos.
Ainda sinto o gosto do teu orgasmo em minha boca, o aperto de tua vagina comprimindo o meu pênis a cada penetração que fora dada e o prazer da tua liberação quando o teu orgasmo se faz presente.
Vejo e sinto a tua entrega, pois ela foi de corpo e alma. Ainda a tenho impregnado em minha pele, mesmo depois de tantos séculos.
Entretanto, só há recordações, pois a mulher que gemia e prometia um jardim de prazeres se perdeu nas chamas de Plutão.

Restando apenas doces recordações que acabaram por apunhalar o meu ser a cada momento.
Onde a doce Galatéia se encontrará?
Envolta e acolhida em uma alcova de labaredas perdida para sempre do seu amado centauro.
Nos momentos finais, meu coração para, o estupor da morte me acolhe, os gumes cortantes retalham e rasgam o meu corpo; finalmente cessam as minhas lembranças.
Entretanto, amanhã reiniciará o meu tormento, volto para os penhascos, para a minha solitária jornada e memórias.
Para no apogeu de Diana, eu me lançar de encontro à morte.
Triste sina a minha, tudo por amor a uma ninfa, morrer diariamente até que os deuses me perdoem por ter amado a Galatéia.
A filha de Poseidon com Ceres, prometida a Tritão, que ousou ir de encontro aos Deuses e pereceu sob as labaredas de Plutão.
Kratos Carpe dien, O Centauro.




Como separar a realidade do horror? Especialmente quando você é a presa de um predador sem limites ou consciência, restando apenas a fugir e quem sabe, poderá ter a sorte de escapar de um futuro terrível....


A noite está bela, todos estão se divertindo, até você... No entanto, quando menos se espera surge um ser que poderá mudar a sua vida, para pior. O que fazer? Fugir ou lutar?

A estranha fome!
 Mia Hertz.

23 de Outubro de 1010.

A cada mil anos, mulheres e crianças desaparecem misteriosamente, seguindo um padrão único. Simplesmente seria como se o indivíduo sumisse no ar, encontrei esses mesmos relatos nos documentos da biblioteca da Abadia, muda os séculos, mas a situação é a mesma.
Os pais, os irmãos e os maridos estão desesperados, nenhum deles tem notícias ou pistas do que ocorreu, só sabem afirmar que a última vez que viram as vítimas elas estavam bem e felizes e depois, o eterno silêncio...
 Foram mais de cinqüenta almas, entre mulheres e crianças. Estou orando a Deus que tenhamos notícias delas, muitas dessas mulheres eu mesmo as batizei. O povoado está em polvorosa, entre chocados e atônitos com tudo isso, pois não temos um corpo para contar o que houve realmente, não sabemos se morreram ou foram raptadas.
  O único vestígio dos desaparecidos são as dores e as lágrimas dos que ficaram esquecidos na eterna espera de encontrá-los...
                               Padre Luccas.






Dias atuais:
A noite estava fresca apesar do calor, acompanhada pela sua mãe, Philia adentrou no recinto iluminado e lotado de homens e mulheres bem vestidos.
O burburinho das conversas, os odores dos corpos e dos cigarros empesteavam o ar, no salão o conjunto tocava as músicas de um famoso cantor, enquanto que na pista de dança, alguns casais rodopiavam ao som da melodia, dando uma aparência mais festiva para o evento.
Vagarosamente elas seguiam para o interior do salão, desviando-se das mesas e das pessoas que se amontoavam em grupo debatendo alegremente, rumando para o jardim em busca do quiosque. 
Mãe e filha caminhavam lentamente, a diferença de idades entre ambas era de 17 anos, Philia estava com quarenta e um anos completos, casada e mãe de dois jovens garotos. 
As pessoas que não as conheciam diriam que pareciam irmãs de tão parecidas que eram, tanto nas feições quanto nos trejeitos.

Localizando a mesa a qual iriam ficar, colocaram seus pertences e sua mãe sentou-se.
Entretida em observar aos convidados, a mais nova se encaminhou para o jardim. Estacando no meio dele, ela observou com desprezo a um senhor estranho que possuía barba e cabelos negros, ele estava acompanhado por outros dois homens.
A primeira impressão que ela teve desse homem foi a sua feiúra e o seu jeito estranho, que o fazia destoar do ambiente, lhe parecia um duende feio e mau.

Ignorando ao trio misterioso, Philia deixou de olha-lhos e foi ao encontro da sua mãe com o intuito de comentar a respeito deles, pois ficara encafifada e incomodada com a sensação que o mais idoso lhe provocara.

Questionando-se como em um local onde se tinha tantas pessoas bonitas e agradáveis poderia ter um ser que exalava tanto mal estar e fealdade quanto aquela criatura, ao mesmo tempo pedia perdão a Deus por sua falta de caridade em estar pensando desse modo.
Ao se aproximar da sua mãe, a mesma lhe apresenta ao seu namorado. Surpreendida, atônita e arrependida, Philia ficou ciente que o feioso duende era o atual relacionamento da sua genitora.

Envergonhada e arrependida pelo seu comportamento, procurou aproximar-se do companheiro de sua mãe, tentando ser simpática e solícita, ao mesmo tempo, procurando ignorar os arrepios de pavor que lhe lambiam o corpo ao dirigir-lhe as palavras e a impressão de perigo que lhe apertava o peito.
Sentando-se ao lado do cavalheiro, o mesmo lhe apresenta aos dois outros homens que estavam ao seu lado; ambos eram filhos dele, o que estava a sua direita era alto, forte, possuía traços bonitos, sua face esquerda era toda tatuada, tinha cabelos e olhos pretos, mas o que mais chamava atenção era o seu olhar perverso, louco e maldoso, parecia o demônio em forma de homem.

O da esquerda possuía traços angelicais, mas os seus olhos desmentiam as purezas da sua fisionomia.
Em busca de estabelecer um assunto qualquer e sem assunto, devido a situação a qual se encontra Philia solta essa:
-Puxa! Estas tatuagens devem ter doído para burro! São bonitas, mas eu só fico pensando na dor que você sentiu, pobrezinho! – Se calando ao fitar a criatura que lhe olhava como se fosse lhe causar algum dano.
Temerosa, Philia sentou-se mais próximo ao pai dos homens, estava tão atordoada e com medo, que não conseguira memorizar o nome de ambos ou mesmo prestar atenção na conversa que se desenrolava entre eles.
Ao olhar para o mais velho, sentiu e soube que estava diante de um frio assassino que comia as suas vítimas, sugando toda sua energia em meio a dentadas durante o sexo.

Philia não saberia afirmar de onde essa informação surgiu, mas estava exposta em sua mente, como se fosse um filme nítido.

Tremendo ainda mais, procurava se aproximar do namorado de sua mãe em busca de proteção, pois entre ele e o escuro, preferia ao duende.
Procurando não fixar os olhos no demoníaco ser, conversava frivolidades enquanto contava os minutos esperando por sua mãe.

Foi nesse momento que ela sentiu algo lhe tocar, quando se virou viu o loiro com o púbis roçando no seu quadril.
Neste instante, ela foi invadida por uma imagem: ela conseguia ver através das calças dele, o pênis dele se movimentando, no lugar de um prepúcio o órgão possuía três minúsculos tentáculos denteados, que enterrados em uma vagina, destruiria internamente qualquer mulher, comendo-a internamente.

Apavorada ela lhe pede que se afaste dela e pela primeira vez em sua vida, Philia teve medo de um pênis.
A impressão que ela tinha era que deveria escolher a um dos irmãos, esse sentimento foi tão forte que lhe atormentou.
Atordoada com esse augúrio, ela levanta-se e sai em busca de uma guarida que a proteja desses seres e da loucura de tudo aquilo.

Orando, apressando aos seus passos, atravessa o salão, cega ao festim e às pessoas que inocentemente bebericam, conversam, fumam e flertam; enquanto que no jardim os monstros se preparam para a caçada.

E o pior de tudo isso, que ela era a caça! Saindo apressadamente portas a fora, ela ganha as ruas.
Correndo pelas ruas do condomínio, Philia procura pelo portão de saída, avistando a guarida a cinqüenta metros, diminuindo os seus passos, sente que sua respiração vai normalizando lentamente.
Ao abrir o portão para ganhar a avenida, o seu olhar se depara com o demônio escuro, ele estava de pé fitando-a.

E nesse momento que ela se da conta, que é ele que irá caçá-la e comê-la. No momento, em que ela gritou ao sentir o pênis do demônio louro, ela elegeu ao escuro.
Philia teve a sua boca, tomada pelo gosto ruim de bílis e trêmula de medo, ultraje e horror.

Respirou fundo e prosseguiu em sua desabalada fuga. Foram esses sentimentos que a impulsionaram a correr, apesar do medo e do salto alto que ela usava e que teimavam em querer sair dos seus pés.
Correndo pela alameda, em busca de um taxi que a tirasse de lá e levasse para a segurança do seu lar.

Finalmente conseguirá um utilitário, entrando esbaforida lhe deu as coordenadas, enquanto olhava para trás e via ao escuro se afastar do seu campo de visão.
Abrindo a janela do automóvel, ela lhe envia uma dedada, suspirando de contentamento por se achar livre da ameaça, agradecendo a Deus e a providencial chegada do taxista. Suspirando de felicidade por estar livre e salva!
Chegando ao seu prédio, paga e desce do táxi, dirigi-se para a entrada, tenta digitar a senha do portão errando os códigos consecutivamente, até o que finalmente acerta.

Respirando aliviada, entra, ao se virar para fechar o portão, encontra-o parado olhando fixamente para ela.
Horrorizada, ela fecha o portão e corre para o hall de entrada, ao se voltar, ela vê o portão sendo aberto e ele entrando. Não esperando um segundo a mais, ela fecha a porta do hall, olha os elevadores e todos estão nos andares de cima, correndo para as escadas, sentindo o seu coração descompassado e o corpo trêmulo, ela só pensa em escapar do seu destino.
Galgando os degraus cegamente em busca de salvação, procura naquela selva de concreto um buraco ou um vão a qual possa se esconder, apesar da certeza eminente da derrota a cada segundo que escoa nos degraus das escadas de serviço. Mas, em hipótese alguma iria desistir, iria correr e fugir, lágrimas escorrem pelo seu rosto e os seus soluços ecoam nos vãos das escadas, chorava pelo que perdia e pelo que não teria.
Já perdera a noção de quantos andares ela tinha galgado, quando a sua cintura foi cingida por braços de ferro, debatendo-se compulsivamente Philia tenta se soltar do abraço mortal.

Sentindo o corpo rígido preso a suas costas, o hálito quente em sua orelha; escuta-lhe:
-Peguei-a! Coelhinha! – Ele falou sussurrando em seu ouvido.
Travada e revoltada, ela só pensa na dor em ser devorada viva, falando alopradamente, ela grita para ele:
- Já que eu irei morrer, acredito que pelo menos eu tenho o direito de escolher o modo a qual irei morrer. – Falou Philia ofegante – Me mate antes de você comer o meu corpo!
Dito isso, parou de se mexer e esperou passivamente a reação dele. Ele a virou e olhou para a humana, que transpirava medo e repulsa.

Foi nesse momento de descuido que Ela lhe abocanhou o pescoço rompendo a sua pele e arrancando um naco sangrento de carne, cuspindo em seguida, tomada por ânsias e sentindo os seus intestinos se revolverem de repulsa.
Aturdido pela reação dela, afrouxou-lhe o abraço, sem, no entanto, soltar-lhe. Sendo golpeado por uma saraivada de chutes, ele a trouxe para junto de si e prendeu-lhe.
Irado e surpreso, ele falou palavras desconhecidas que os transportaram a uma gruta escura e úmida. Sendo iluminada apenas por archotes presos na parede.

Tremendo e esperando a reação do escuro, Philia tentava lembrar-se de antigas orações que aprendera quando criança.
Ele a olhou e falou:
-Não adianta rezas ou fazer promessas vazias.  Seu futuro já foi decidido no momento a qual eu lhe deitei os olhos. Dizendo isso ele a prendeu com os grilhões que estavam conectados na parede.
Depois de presa, ela sentou-se no chão, parecendo uma caricatura de boneca desprezada. As horas se passaram, as lágrimas secaram, os temores aumentaram, a revolta cresceu em seu interior enquanto que ele estava sentado em sua frente, olhando-a perdido em seu mundo particular.

Especulando-o, se põem a querer que ele morresse de algum mal súbito e orava que esse fato ocorresse o mais rápido possível, que ele fosse fulminado por um raio, enquanto se questionava: onde estaria Deus neste momento de terror?
Será que ela era tão má? Por que teria que passar por essa provação? O cara era um demente e ainda por cima um demente poderoso, cadê os anjos quando precisamos deles?

Rindo e chorando, ela ruminava esses e outros pensamentos, orando e insultando.
Gritando, Philia lhe questiona:
-Quando você vai me matar? Está esperando o que? Já estou cansada dessa espera, não está vendo que esta expectativa está me matando? Vou acabar morrendo de um colapso nervoso e aí... Acabou o seu mórbido prazer em matar! Fala alguma coisa seu sacana ruim!
Quieto ele estava, calado ele continuou. Depois de um quarto de hora, ele levantou-se e se despiu. Aproximando dela com o seu corpo pesado e seu olhar ausente. Parecia a própria encarnação da morte, crua e silenciosa.
Observando o corpo do seu captor, Philia observou os pesados músculos, os peitos avantajados, a ausência de pêlo, as coxas grossas e o seu pênis avantajado descansando no seu saco escrotal, realmente o maldito tinha um corpo bonito, o que era um desperdício no conceito dela, de que adianta um corpo tão bem formado para um assassino?

Aquele corpo seria bom para um amante ou para um prostituto, mas para um demônio matador era um sacrilégio, um desperdício, pois com certeza nem uma ereção o infeliz conseguiria manter ou mesmo um ato de carinho! Pensando assim ela se encolheu ainda mais.
Mais uns passos, ele já estava junto a ela, levantando-a do chão, colocou-a em pé, retirou cada peça do seu vestuário com cuidado e zelo, desnudando-a pouco a pouco sem pressa, sentindo a pele suave que surgia a cada peça perdida.
Vagarosamente, se aproxima do corpo dela, levantando o seu rosto ao encontro do seu, avizinha os lábios em sua face e passa a língua em suas lágrimas.

Seguindo até a sua boca, onde vagarosamente acaricia-os até que os abra e introduz a sua língua no interior da sua boca, sugando e alisando a língua de Philia, procura incitá-la a corresponder ao beijo, enquanto que suas mãos percorrem sem rumo as curvas rechonchudas dela.
Procurando descobrir os recantos e sentindo a textura morna do corpo da mulher, roçando o seu órgão em sua barriga, se perde no calor da pele dela em busca do seu prazer e do dela, sentindo o calor de vida que exala latente em sua presa e que o envolve docemente, aquecendo o seu corpo frígido.
Erguendo as suas grandes mãos em rumo aos seios dela, os envolvem e os alisam, ora beliscando aos seus mamilos e ora os afagando, enviando ondas de choques que percorrem ao seu corpo, até chegar ao útero dela, convulsionando-a de prazer.
Philia gemendo e amaldiçoando começa a percorrer ao corpo do homem, moldando, acariciando e apertando-o. Tentando se fundir naquele corpo duro e gelado, que proporcionava tanto prazer quanto pavor.

O beijo dele se aprofunda, sua língua imitando o movimento de vai e vem da cópula, o que a faz estremecer ainda mais de prazer, a sua vagina palpita a cada estocada da língua dele.
O ser a levanta e envolve as suas pernas em seus quadris, enquanto que procura introduzir a sua glande na entrada úmida de sua vagina. Aproximando o pênis de sua entrada, ele encaixa e lhe enfia de um só golpe, invadindo-a, enquanto se perde em seus beijos.
Segurando os quadris dela, ele controla os movimentos, entrando e saindo fortemente, cada vez mais rápido.
Trêmula de desejo, engolfada em um turbilhão de prazer, ela contrai a vagina tentando-lhe prender, lhe morder ou mesmo, ordenhá-lo até a sua culminação.

Ele se vê preso entre beijos vorazes e os seus urros de prazer, ao sentir o seu pênis sendo apertado pela vagina molhada e sequiosa de Philia.
Suados, trêmulos e fervendo pelo prazer, os dois se entregam no abraço mortal do orgasmo, urrando e chorando enquanto se beijam.
Com ela em seus braços, ele parte para o fundo da sua guarida, soltando-a em sua cama, ele se deita ao seu lado e lhe abraça, envolvido pelos sentimentos que foram despertados por ela, e sem entendê-los, beija-a e lhe diz:
-Por hoje não irei te comer, pois que eu fui comido por ti. Abraçando-a, tentou dormir, enquanto se perde nas sensações e sentimentos que teve por ela. Pela primeira vez, desde a sua existência, a sua eterna fome foi saciada sem precisar devorá-la e digerir a tenra carne humana.




Conto: Estranha Fome. Mia Hertz. Conto que faz parte da Antologia Beijos e Sombras.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Até onde o amor se entrelaça com a dor? Até onde a dor da perda esmaga os sentimentos, fazendo a razão se dissipar?







O intercâmbio entre Orion e o submundo, nos surpreende a cada aventura.
Paixões não resolvidas, traições, amores mal elaborados e mal estruturados, vinganças medonha e até o Umbral deu sinal de vida ou de morte... Quem sabe?
O que falta aparecer?
Os políticos brasileiros e a corrupção dos mesmos... Ops...

Gazeta De Orion:
... “Fedra, a sem coração, voltou do umbral graças à intercessão da grande deusa Hera”.
Hera a bondade encarnada compadecida pela malograda história de amor de Fedra e de Damon, resgatou a doce dama do horripilante lugar.
O que seriamos de nós sem os Deuses? “Que nos protegem e nos amem incondicionalmente...”.
 “- Hera dessa vez foi longe demais! – Zeus em seu rompante de ódio, soltando raios e trovões ao saber do destino de Syrea, a sereia...”.

“- Maldita hora que fiz sexo com Zeus! O pior que nem foi tão bom. Aff!” Syrea, a sereia.  

Fedra, A sem coração!
Mia Hertz.


O sol estava se pondo no horizonte matizando o céu em um amarelo carmim.
Uma brisa suave refrescava o entardecer tornando a temperatura agradável.
As folhas rumorejavam agitadas pelo vento e os pássaros canoros procuravam abrigo para se acomodarem.
Uma mulher com o rosto vincado pelas tormentas das almas caminhava tropegamente segurando o esterno com ambas as mãos.
Delicada e miúda, com traços faciais comuns e um par de olhos amendoados e profundos. Marcados pelas dores e decepções, lágrimas de sangue riscavam face abaixo, a cada passo dado.
Enquanto, falava para si mesma:
Parte...
Esquece que um dia,
Já fui tua,
É que tu já foste meu.
Leva...
Contigo essa dor,
Que estraçalha o meu ser a cada instante.
Sinto...
Febre a cada momento em que penso em ti,
Vá não olhe para trás,
Não quero que veja os cacos do que sinto,
Rolando solo abaixo.

Se aproximando do lago, que era margeado por centenárias árvores.
Fedra contempla a paisagem com os olhos úmidos e com a constante dor que despedaça o seu ser.
Envolvida no seu inferno interno, se desliga da realidade mergulhando no seu interior, envolvida pelas lembranças que lhe martirizam.
Estava encantada, enfeitiçada e amaldiçoada desde o dia que fitara ao demônio guardião dos sete infernos.
Sua feição, seus carinhos, suas palavras, seus beijos e seus toques lhe acompanhavam diariamente através da saudosa recordação que tinha dele.
Evocação essa que esquentava a alma e o corpo, sentindo como se o seu corpo estivesse constantemente sendo devorado por labaredas de fogo e o odor do amante querido estava impregnado em sua pele como se fizesse parte dela.
O tempo passara, o vinculo se fortalecera e as almas de ambos se uniram a cada encontro.
Entretanto, nem sempre os seres estão preparados para as dádivas que recebem dos Deuses ou mesmo dos Demônios.
Damon, um demônio ladino tinha medo de perder o seu coração para quem quer que seja; humano ou entidade.
Viu-se encantado por uma frágil humana e temeu perder de vez o seu equilíbrio e os seus cornos gigantescos.
Temeroso que pudesse se envolver ainda mais com tal criatura, simplesmente foi embora e partiu em uma missão: vistoriar aos sete infernos deixando a amante sem noticias dele.
Queria a todo custo tentar esquecê-la, deixar de sentir o seu sabor em sua boca...

Fedra esperou uma semana, duas e outras tantas... Cansada de tanto aguardar, magoada, ressentida e se sentido traída, fizera um pacto com a bela sereia Syrea do lago da floresta de Zur.
Decidira que jamais voltaria amar a qualquer outro ser em sua vida.
Decisões precipitadas, tomada no calor do momento, que muitos seres tomam quando estão imerso em suas dores, decepções e indecisões...


A sereia sentada em sua rocha na beira do lago olhava atentamente e satisfeita à mulher atormentada que vinha chegando.
Intimamente se questionava da ingenuidade dos humanos e da fragilidade dos mesmos.
- Como uma raça tão passional quanto à deles ainda sobreviviam em um planeta tão selvagem quanto o deles?
Jamais saberia a resposta e nem queria sabe-la, pois para ela, o que interessava o que iria ganhar com esse pacto.
Fedra chegou até a sereia esperando as orientações da mesma.
Trêmula, indecisa e ferida, pensou e sentiu o odor mais uma vez o seu demônio tão querido e tão amado.
Embriagada pelas recordações não observou quando a sereia em um bote, lhe rasgou o peito retirando dele o seu coração ainda pulsando.
Estupefata e com dores atrozes, Fedra desliza ao solo banhado em seu próprio sangue.
Enquanto que a entidade degusta o morno coração entre dentadas.
No estupor da morte, Fedra sente pela última vez o sentimento de amor e da dolorida saudade.
Entre uma abocanhada e outra a criatura fala fitando o corpo sem vida da rapariga, falando:
- Resolvi o seu dilema criança, agora não tem mais como amar outra vez...

No umbral, sombras deslizam, seres grotescos correm ziguezagueando por entre corpos retorcidos e matérias plasmadas.
No horizonte um oceano negro, placidamente se movimenta escondendo e acobertando criaturas, monstros e seres desencarnados.
Que entre lamurias, gemidos, gritos e sentimentos confusos que vão desde o espanto até a profunda revolta.
Nesse caótico local, uma mulher com a cabeleira revolta fita o infinito sempre a espera...
Em sua túnica alva se nota um buraco oco entre os seios.
Com as mãos cruzadas, ora placidamente, pedindo perdão pela estupidez cometida...
Sem coração, porém é um ser que transpira amor para doar e dá para qualquer um...
Enquanto que clama serenamente:
Te quero,
 A cada amanhecer.
Te desejo,
 A cada entardecer.
E quero ainda mais na solitária noite,
Onde os instantes se tornam horas,
E o frio se faz presente sem ti.
   
Nos sete infernos, um demônio se encontra confuso, perdido e sentindo que a sua outra metade se fora.
Ele que nunca fora de chorar, derramava lágrimas de sangue solo abaixo, que evaporava ao toca-lo, devido ao abrasador calor da terra.
Com o coração estraçalhado e a alma em cacos, ele chora copiosamente, orando por um milagre que traga de volta a vida a sua fortaleza: Fedra.
Entoando uma cantilena, que ecoa pelo lúgubre local:
Estou a lhe buscar,
Numa desenfreada procura,
Sem sentido ou nexo.
Estou sempre a pensar em ti,
A cada momento sem sossego ou calmaria.
Estou a te sentir,
A cada vã instante,
Sendo embriagado pelo o teu ser,
Pelo o teu sabor,
Pelo o teu doce odor.

No Olimpo, Hera descobre mais uma escapulida de Zeus. Andando nervosamente, enquanto grita aos ventos:
- Ele... Traída... E acreditem com uma mesquinha sereia!
Irada, revoltada e magoada, ela simplesmente num acesso de fúria, negocia a vida da sereia pela de Fedra a sem coração com Hades.
Atiçando a luxuria do Deus do submundo ao descrever a beleza da entidade e da lascívia que era uma das suas características mais marcante.
Após, muita conversa e muita bajulação, ela finalmente consegue o seu intento. De um só golpe ela castigará o adultero companheiro e a saliente sereia.
Contente, fala animada aos seus botões:
- Uma alma por outra.

Na crosta terrestre, Fedra acorda e ao abrir os seus olhos vê o ser que a cativou.
Sorrindo, acolhe em seus braços o seu demônio tão amado e tão querido.


Poemas:
Razões - Mia Hertz.
Canção de Fedra - Mia Hertz.
Querer - Mia Hertz.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Existe momentos mais doces do que a fantasia de uma mulher pelo homem desejado?


Existe momento mais doces do que a fantasia de uma mulher pelo o homem desejado?
Acredito que não, especialmente quando a fantasia é tão doce quanto o chocolate que derrete na boca provocando a deliciosa sensação de satisfação e se esse chocolate tiver o calor e a energia da pimenta, então ondas de fogo líquído percorre o corpo....
Aconselho a lê-lo com o ventilador ligado, degustando o sabor dos beijos do ser desejado e escutando alguma música que evoque doces sensações...
A música a qual escutei durante a postagem foi  Winterland de Unheilig.
http://youtu.be/hRaQlq3wOZw
Eis que apresento:



Doces Fantasias...
Mia Hertz.


O banheiro se encontrava na penumbra. Deitada na banheira me encontrava relaxada e sentindo a tépida água me envolver.
Os jatos da hidromassagem passeavam sob a minha pele proporcionando agradáveis sensações, em busca de outras mais, posiciono lentamente o quadril de encontro a um dos jatos que sai.
Sinto o mesmo, acariciando internamente a minha coxa, evocando a lembrança da tua língua em minha pele, guiando à pélvis de encontro ao jato, sinto-o bater em minha vagina.
O que me faz ofegar de prazer e abrindo mais as pernas permito que ele adentre na minha intimidade.
Como se fosse uma língua maliciosa e brincalhona que passeia ligeiramente entre os meus lábios vaginais e no meu clitóris, provocando gemidos e tremores que percorrem o meu corpo em todas as direções.
Em busca de mais deleite, sigo a pseudo língua que me deixa tão descontrolada, enquanto penso em ti quando está mergulhado entre as minhas pernas, me lambendo e levando-me até o ápice do prazer.
Com o corpo amolecido pelo prazer e com os olhos pesados de tanta luxuria, deixo o meu olhar vagar pelo aposento.
Quando deparo contigo encostado na parede, nu e com o olhar preso em mim, enquanto que suas mãos acariciam vigorosamente o teu falo.
E que pênis!
Passo a língua entre os lábios ao me lembrar do gosto dele em minha boca e da sensação que provoca ao me penetrar, preenchendo e satisfazendo a todos os anseios secretos do meu ser.
Continuo me acariciando embalada pela tua maciça e máscula presença, presa em teu olhar endemoniado e luxurioso.
Entregando- me aos prazeres que envolvem o meu corpo, rebolo freneticamente de encontro ao jato querendo acelerar e desacelerar a todo o gozo sentido, gotas de suor se misturam com as gotas de vapor que me envolvem.
As mesmas deslizam face abaixo em direção aos seios como se fosse uma breve carícia dos seus dedos, se perdendo na morna agua da banheira.
Com o olhar imploro a tua presença ao meu lado, querendo sentir ao teu corpo nos derradeiros segundos que antecede ao meu orgasmo.
Que chega violentamente como um tsunami de sensações que me faz gemer e chorar.
Amolecida e relaxada pelo gozo, suspiro satisfeita do prazer saciado.
Procuro mais uma vez por ti, quando o vejo se aproximando de onde estou, com o seu corpanzil grande e seu olhar devasso.  
Entra na banheira, me envolve com os teus braços, aproximando os seus lábios dos meus e me beija, percorrendo o interior da minha boca com a língua devassando-a.
Literalmente mergulho nos seus beijos, sentindo a minha vagina e o meu útero se contraírem com a onda de prazer que assalta o meu corpo.
Imediatamente sinto-me úmida e preparada para te receber.
Tu me viras de costa, colocando-me de quatro com o corpo de encontro à bancada, fico na expectativa do teu próximo movimento, arrepios percorrem a minha pele pela espera que alimenta as minhas fantasias mais íntimas.
Suas grandes e carinhosas mãos envolvem o meu quadril posicionando-o para receber o teu pênis.
Penetrando sem aviso prévio sinto o prazer percorrer todas as terminações nervosas do meu ser.
Gemendo e mexendo de encontro ao teu corpo, impulsiono o meu para lhe ter e sentir cada vez mais o teu pênis em meu interior.
Embalados pelo momento, deixando os nossos corpos seguirem os movimentos cadenciados, em alguns momentos acelerados e em outros mais lentos e profundos, que arrancam de mim gemidos e ofegos...
Até que o nosso orgasmo se aproxima e eclode, fazendo ecoar gemidos e trazendo a sensação de lassidão, plenitude e satisfação que nos envolve.
Viro o meu corpo trêmulo e relaxado em busca do teu, te abraço e te acolho em meus braços.
Procuro a tua boca e beijo os teus lábios, sentindo o seu gosto saboroso e viciante.
Suspirando me entrego ao sentimento prazeroso que me preenche.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Entre um suspiro e outro, poemas e mais poemas... Os contos estão na boca do forno...

Caminhada...

Venha...
Segure em minhas mãos,
Deite a tua cabeça entre os meus seios,
Permita  que eu te leve ao paraíso,
Entre um beijo e outro.

Esqueça que o mundo lá fora está caótico,
que os seres estão desvairados,
 Que as dores são esmagadoras
E que a solidão se faz presente a cada instante.

Mergulhe nas sensações que convulsiona entre nós,
Sinta a combustão que queima e incendeia a cada toque,
Quando estamos juntos.

Escute os sussuros entremeados aos beijos,
Que cantam o quanto te quero...
São melodias que saem do fundo do meu ser,
Porque não dizer da minha alma!

Mia Hertz.

domingo, 24 de abril de 2011

As tormentas da natureza e as da alma açoitam ao planeta...


Profano.
Mia Hertz.

Orion, 22 de abril de 4503.

“A pessoa certa e preparada para levar a cabo a esta missão é Artemisa”! Zeus argumenta impaciente para Afrodite.
- Zeus, será que tem realmente necessidade de tudo isso? Deixe nas mãos de Eros, que ele resolverá. – Afrodite.
-Sabe qual é o seu problema Afrodite, tu pensas que tudo se resolve através do amor, eu já te disse filha, que as coisas nem sempre são assim... – Zeus.”

Gazeta de Orion:
“... A caridade e a justiça dos Deuses, é um tormento para todos os seres, questiono-me se realmente não seriamos mais felizes sem eles...
Como poderemos ter a tão sonhada justiça, se somos meros brinquedos de Deuses passionais com sentimentos tão humanos... ” Levi, o sábio.
"... As tormentas da natureza e da alma açoitam aqueles que procuram a redenção, mas nem sempre a justiça é tão justa, especialmente quando se trata de Deuses com sentimentos tão humanos, quanto os Olímpicos... Nem sempre os seres são totalmente ruins ou totalmente bons... São apenas seres vuneraveis e atormentados..  Elish, anjo negro do quarto planeta de Orion. "

Era uma noite típica de verão úmida e abafada, prenunciando a vinda de uma tempestade.
Numa clareira próxima uma velha árvore chamava atenção pelo seu tamanho e imponência.
Em seu galhos esqueletos balançavam e chocalhavam como se fossem enfeites natalinos macabros.
Ao redor dela a beladona crescia e vicejava a custa da ureia dos condenados que eram enforcados no local.
No solo, a metros de profundidade, uma mulher placidamente dormia em seu sono secular.
Alva como os raios lunares, os seus cabelos cobriam ao corpo nu igual a uma mortalha fúnebre.
Possuía traços delicados quase angelicais, se não fosse pela maldade que transpirava pela sua pele.
Seus braços encontravam-se algemados por grossas correntes de prata ungidas que estavam fincadas nas espessas raízes.
No silêncio noturno, o único som que se escutava a milhas e milhas de distância era o farfalhar das folhas e chocalhar dos esqueletos que balançavam um contra o outro ao sabor do vento.
Grossas e espessas gotas de chuvas caiam lentamente do céu, lavando e limpando tudo ao seu redor, para momentos depois acelerarem e despencarem como se o mundo estivesse para  acabar a qualquer momento.
Raios riscavam aos céus, caindo aleatoriamente e destruindo o que estivesse ao seu alcance.
Trovões estalavam assustando aos incautos animais e aos humanos mais próximos, fazendo com que os mesmos procurassem abrigos e escapassem da fúria dos Deuses.
Nesse momento um raio cruza o céu e atinge a velha árvore, dividindo-a ao meio, destruindo-a e partindo as algemas que prendiam o ser em seu interior.
Ela fora acordada por uma carga altíssima de energia, ainda sentia a eletricidade percorrer seu corpo.
Abrindo lentamente as pálpebras, tentando se livrar da dureza que toma conta dos seus músculos, devido ao longo tempo presa.
Sendo assaltada por antigas lembranças, sente o coração bater intensamente enquanto se deixa levar por sentimentos de ira, frustração e fome.
Ah! Essa eterna e constante fome pela perfumada e macia carne humana, sente a saliva aumentar em sua boca quando se lembra do gosto da tenra iguaria sendo mastigada entre seus lábios.
Ela era um antigo anjo que fora expulsa e banida para esse planeta, a milhões de anos atrás.
Vivera entre deuses, demônios, mutantes, humanos e humanóides.
Quando houve a primeira guerra contra os grandes deuses, lutara ao lado dos filhos de Eva, mas fora traída por aqueles que deveriam ter sido os seus aliados.
Após passar séculos presa no submundo, fora perdoada por Hades e conseguira voltar ao mundo exterior.
Com o coração tomado pela vingança e pelo ódio, se tornara o flagelo dos seres humanos.
Destruíra vilas inteiras, não poupando ninguém. Todos aqueles que cruzaram ao seu caminho sentira o fio da sua espada e o dilacerar dos seus caninos.
Banqueteou-se com os seus antigos aliados e inimigos, eles foram a entrada, o prato principal e a sobremesa.
Fora literalmente uma orgia gastronómica, nunca se divertira tanto quanto nessa época.
Amava ouvir os lamentos, as súplicas e os berros de suas vitimas, era uma sinfonia abençoada, isso sem falar no rio de sangue que deslizava solo abaixo, tornando-o carmim.
No entanto, os Deuses ficaram a par de suas extravagancias sangrentas e não gostara nem um pouco do oceano sangrento que banhava ao planeta.
Reuniram-se sob o comando de Zeus e a perseguiram até encontra-la, prendendo-a com as algemas ungidas e fora acorrentada no solo sagrado de Hera.
Fora séculos e séculos na eterna escuridão, presa, esfomeada e com um ódio mortal por todos e tudo que respirasse.
Finalmente liberta por um golpe do destino e quem sabe das Parcas, ou mesmo dos próprios deuses, quem sabe?
Estava faminta e temerosa de ser aprisionada novamente. Cautelosamente se afasta da clareira em rumo à cadeia de montanha da zona Oeste.
Um local inóspito, onde poucos sobrevivem.
Estava cansada de lutar, de matar, de odiar e de querer vingança a todo custo, já não via mais sentido nesses sentimentos que foram alimentados diariamente por séculos.
Só desejava um local, onde pudesse viver só e liberta, onde não fosse marionete nem de Deuses ou de homens. Queria ser apenas ela.
Andando tropegamente parti em busca de um lugar a qual possa se abrigar.
A tempestade lava o seu corpo, retirando as sujeiras que acumularam com o passar dos anos e limpando também a sua alma.
Já tinha andado uns vinte km, quando se depara com um humano vindo ao seu encontro.
Os seus caninos teimam em expandir gengivas a fora, suas garras ameaçam se projetar pelas unhas.
Controlando todas as mudanças, ela vai se afastando do mortal.
Mas nesse instante, sente ser agarrada por alguém, quando se vira dá de encontro com um ser minúsculo, que expande luzes por todos os seus poros.
Uma criança, no entanto,  se percebe que não era um infante humano.
Temerosa tenta se afastar dela. Entretanto a criatura se aproxima mais, tentando fugir para a sua esquerda, tem o seu caminho barrado pelo o homem.
Presa entre os dois se prepara para lutar contra ambos.
Quando sente uma flecha perfurar ao seu peito.
Procurando a origem da mesma, vê que partiu da criatura luminosa, dando conta que a mesma possuía asas.
- Oh! Deus! Era o cupido que estava à sua frente.
Tentando se afastar as cegas, dá de encontro com algo solido e quente, acolhedor.
Ao abrir os olhos, vê a sua frente ao homem.
Tomada por um sentimento nunca sentido antes, que envolve e preenche ao seu ser com alegria, tristeza, insegurança, acolhimento, carência e como se finalmente tivesse encontrado uma parte sua a muito esquecida e perdida.
Suando frio, coração descompassado, arrepios de prazer e ofegante ao ver o mancebo a sua frente, suas pupilas se dilatam e fica tremula.
Percebe um calor estranho percorrer o seu gélido corpo, aquecendo a sua alma e ao seu ser.
Esquecida de tudo e de todos, olha embevecida ao ser a sua frente como se bebesse da imagem, sendo correspondida pelo mesmo.
Andando em direção a ele, se aproxima; abraça carinhosamente sentindo o calor dele fluindo para o seu corpo, lentamente aproxima os seus lábios virgens da boca masculina.
Sendo beijada profundamente, se entrega e se deixa levar pelo sabor da boca, do aroma almiscarado e da sensação prazerosa que percorre a todo o seu corpo.
Perdida nesse universo de sensações desconhecidas se entrega pela primeira vez, deixando surgir toda a sua vulnerabilidade e temores.
Apertada de encontro a ele, aconchegada no peito masculino ela se deixa levar e ser envolvida pelos braços dele...
Metros de distância dali, uma mulher de armadura e uma criança observam aos amantes.
Artemisa vendo e com um prazer quase doentio, arma o arco com a sua flecha, fazendo pontaria, atira.
A flecha corta o ar e no seu trajeto zune, como se fosse uma abelha em voo, seria interessante se não fosse medonho o barulho que ecoa pelo descampado.
Um som macabro anunciando desgraças e lágrimas...
A flecha vara aos amantes, perfurando-os e unindo-os pelo os corações.
Surpreendidos e surpresos se olham com um misto de dor, de amor, reconhecimento e saudade.
Ela sussurrar ofegante:
Sentir...
Insensato.
Sentidos...
Desacatados.
Sentimentos...
Desenfreados.
Sempre são e serão.
A salvação ou a perdição do homem.
Pois,
Ao se entregarem a eles,
O ser perde a sua paz ou finalmente a encontra?
Eis o dilema!
Que atormenta a alma daqueles que ousam sentir...
Desenfreadamente e plenamente os sentimentos.
Beijando pela última vez o seu amado, morre entre os braços dele e sendo expectadora do seu óbito, caindo abraçados e tombando na relva verde, a primeira e última alcova de ambos.
Artemisa observando a tudo, fala para Eros:
- Bom trabalho! Você já pensou o perigo que ela representaria para os seres?
- Ela sem está amando é cruel, imagine apaixonada, será um demônio incontrolável! Uma víbora a menos em Orion.
Eros, penalizado pelo casal, responde:
-Artemisa, realmente precisava exterminá-los? Ela estava querendo fugir, sinto que estava redimida e só queria sobreviver...
Eros aprenda uma coisa, os Deuses sempre estão certos...-  Artemisa, apontando para o casal, continua: Eles são apenas marionetes descartáveis para o nosso bel prazer.
Uma lágrima discreta desliza lentamente pelo rosto de Eros, ao vislumbrar pela ultima vez aos amantes.



Conto: Mia Hertz.
Poema:  Se Permitir... Mia Hertz.